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Museu da Imprensa destaca mulheres que ajudaram a construir Foz do Iguaçu

Mulheres pioneiras em Foz do Iguaçu
Museu da Imprensa reúne em seu acervo o registro digitalizado de mulheres que contribuíram para a construção da cidade – foto: reprodução

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Professora dos filhos dos trabalhadores da Usina São João, produtos argentinos no barco a remo e valsa com Santos Dumont; 23 entrevistas com pioneiras para acesso online.

A trajetória de mulheres que contribuíram para a construção histórica, social e cultural de Foz do Iguaçu está parcialmente documentada nos veículos de comunicação da cidade. O Museu da Imprensa reúne em seu acervo o registro digitalizado que leva a essas personagens de diferentes épocas.

São pioneiras em que a acepção da palavra pode ser usada tanto no sentido do tempo quanto por terem sido as primeiras realizadoras de determinados fazeres e atividades. Ou, ainda, por terem adentrado em espaços antes tidos como “lugar de homem”, em épocas de conformação da sociedade muito diferentes da atual.

Para acesso no Museu da Imprensa, o livro Foz do Iguaçu: Retratos, editado pelos jornalistas Chico de Alencar e Silvio Campana, uma compilação de entrevistas recolhidas de vários veículos e editadas. A publicação, de 1997, apresenta 23 diálogos com mulheres que contam suas vivências e, ao tecer os fios da memória pessoal e familiar, revelam a comunidade que foi erguendo-se na fronteira.

Cinema quando aparecia algum projetor. A diversão era no Weirich Clube. O primeiro trabalho na docência de Ilka Agripina Vera foi para filhos dos trabalhadores da construção da Usina São João, no Parque Nacional do Iguaçu. Em 1947, definitivamente no magistério, na Escola Bartolomeu Mitre. “O principal segredo do sucesso do professor é cativar os alunos”, ensinou.

Era para a família chegar a Foz do Iguaçu antes de 1953, mas Nina Moreira Andrion evitou a transferência porque, dizia a lenda, aqui as pessoas tinham feridas que não curavam. Estabelecida na fronteira, alimentou operários da Estrada das Cataratas e da BR-277. E foi ao comércio. “Comprava produtos alimentícios na Argentina e vendia em Foz. Atravessava de barco, eu mesma remando”, relembrou uma particularidade fronteiriça.

Primeiro prefeito, Jorge Schimmelpfeng era entusiasta do teatro. O vai e vem dos barcos pelos rios da região: integração, comércio e suprimentos. Os tenentistas na cidade nas primeiras décadas do século 20. São memórias contadas pela pioneira Marieta Schinke. E mais: “Dancei uma valsa com Santos Dumont”, contou ela sobre o aviador que aportou na paróquia em 1916.

O livro Retratos, com as entrevistas de mulheres e suas trajetórias em Foz do Iguaçu, disponível no Museu da Imprensa, reúne: Agnese Betio Giovenardi, Amanda Fritzen Holler, Conceição Ferreira Araújo, Crecencia Roth, Afra Roth, Djanira Rafaela, Elma Wandscheer, Elfrida Engel Nunes Rios, Érica Welter, Filomena Rafagnin, Helena Lacki, Ilka Agripina Vera, Irena Kosievitch, Letícia Pasa Leopoldino, Madalena Aquino Martins, Maria Inês Mazzacato Maran, Maria Odete Rolon, Marieta Schinke, Nina Moreira Andrion, Ottília Ignez Werner Friedrich, Ottília Schimmelpfeng, Rosália Dias e Rosa Cirilo de Castro.

Clique para acessar livro Foz do Iguaçu: Retratos.

Sensibilidade do olhar

Uma das profissionais responsáveis pela construção do Museu da Imprensa de Foz do Iguaçu, a fotojornalista Áurea Cunha considera que o projeto ajuda a mostrar o esforço de mulheres para ocupar diferentes espaços da sociedade. Mas, também, diz, o projeto serve para “lembrar daquelas que foram silenciadas e impedidas de fazer história”.

Em suas pesquisas para o museu digital iguaçuense, deparou-se com um fato que a marcou. “Encontrei o caso de feminicídio da adolescente Rejane Dal Bó, lá em 1977, com apenas 16 anos, morta a tiros pelo ex-namorado. Ontem, como hoje, a sociedade não pode fechar os olhos para o assassinato de mulheres, até que esse crime seja erradicado”, sublinha Áurea.

Diversidade e gênero são temas que permeiam o trabalho de Áurea Cunha. Ela é autora da exposição Todas as Cores do Mundo, que retratou mulheres de Foz do Iguaçu e da região trinacional, convocando à discussão sobre a invisibilidades e a composição multiétnica da fronteira. Foram fotografadas 43 mulheres de diferentes idades, classe social, profissão, religião e escolaridade, mostra que itinerou por várias cidades, incluindo Porto Alegre (RS) — Fórum Social Mundial e Casa de Cultura Mário Quintana — e Curitiba (PR).

Por ASSESSORIA

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